23.3.15

Resposta para Eliane Brum




Gosto muito do que a jornalista Eliane Brum escreve, mas parece que política não é a praia dela!
Várias pessoas próximas a mim se impressionaram com a análise que ela fez numa publicação do "El pais": "A mais maldita das heranças do PT".
Ela me decepcionou e, por isto, escrevi esta resposta.
Em laranja estão as suas afirmações e em branco as minhas críticas.
"quando movimentos como CUT, UNE e MST organizaram uma manifestação que, apesar de críticas a medidas de ajuste fiscal tomadas pelo Governo, defendiam a presidente Dilma Rousseff."
Quem esteve nas manifestações, como eu, viu que nem a CUT e nem o MST defendiam o Governo Dilma. Muito pelo contrário, cobravam pontos de suas pautas, sem nenhuma palavra de apoio ao governo. Um representante da CUT de São Paulo declarou na TV que o movimento "não era nem contra e nem a favor do governo"...
"em manifestações contra Dilma Rousseff articuladas nas redes sociais da internet"
 TODO MUNDO sabe, que as manifestações foram articuladas pelo PSDB (que declarou abertamente seu apoio), pela Rede Globo e pelo resto da mídia. A TV Globo e a Globo News, em toda a semana anterior ao ato, fizeram reportagens diárias em  seus telejornais. Será ingenuidade dela ou o que?
"os que não foram (à manifestação do dia 13) apontam que o partido perdeu a capacidade de representar um projeto de esquerda – e gente de esquerda".
Baseada em que ela chega à esta conclusão?  
"No mesmo sentido, pode ser muito arriscado acreditar que quem estava nos protestos neste domingo eram todos eleitores de Aécio Neves. A rua é, historicamente, o território das incertezas – e do incontrolável."
Ela vai de encontro a duas pesquisa:
1. em SP " 82% se disseram eleitores de Aécio Neves"
2. Em Porto Alegre: "76% responderam ter votado em Aécio Neves "
3. qto "à rua ser..." ficou poético, mas nada a ver com a realidade!
"Há lastro na realidade para afirmar também que uma parte dos que só aderiram à Dilma Rousseff no segundo turno era composta por gente que acreditava em duas teses amplamente esgrimidas na internet às vésperas da votação..."
Gostaria muito de saber, que lastro é este! E, parece que ela não se dá conta de que só uma parcela da população brasileira tem acesso à internet. Em 2013, éramos 200,4 milhão de habitantes, imagino que hoje sejamos mais e, até o final de 2014, era 107,7 milhões o total de internautas no Brasil.
"Faz sentido suspeitar que uma fatia significativa destes que aderiram à Dilma apenas no segundo turno, que ou esperavam “uma guinada à esquerda” ou “evitar o mal maior”, ou ambos, decepcionaram-se com o seu voto depois da escolha de ministros como Kátia Abreu e Joaquim Levy, à direita no espectro político, assim como com medidas que afetaram os direitos dos trabalhadores. Assim, se a eleição fosse hoje, é provável que não votassem nela de novo."
Suposições e subjetividade parece ser o forte dela: os que não foram apontam que, há lastro na realidade, faz sentido suspeitar, se a eleição fosse hoje...
Eu também me indignei com a presença da Kátia Abreu no Governo Dilma, mas considerando que existem rumores de que a direção nacional do PT não está dando 100% de apoio ao Governo e que, infelizmente, sem estas alianças malditas seria impossível governar, engoli. Também porque, no Chile, queríamos que Allende avançasse mais do que estava avançando, mas passados os anos e lendo sobre o golpe, conclui que ele foi até onde deu e no ritmo que o momento permitia.
Se referindo aos que não foram: Mas também não havia (para eles) nenhuma possibilidade de andar junto com movimentos como CUT, UNE e MST, que para eles “pelegaram” quando o PT chegou ao poder.
Procurei no Google MST pelego e só achei matérias na Veja, do Marco Villa (Milenium) e por ai vai. Me pareceu que é a direita que chama o MST de pelego (encontrei também em um site de malucos "revolucionários" que pediam "fora Dilma!").
Quanto à CUT, tinha muita coisa, mas o que havia me pareceu mais brigas de sindicatos contra a CUT, onde a acusam de pelego.
"Mas, (Marina) fracassou na construção de uma alternativa realmente nova dentro da política partidária. Em parte por não ter conseguido registrar seu partido a tempo de concorrer às eleições, ... e em parte por conta da campanha mentirosa e de baixíssimo nível que o PT fez contra ela; em parte por equívocos de sua própria campanha, como a mudança em parte por equívocos de sua própria campanha"
Esta história de " baixíssimo nível " é falaciosa. A Marina acusou o PT e a mídia tratou de espalhar. Ela fracassou porque nunca foi uma alternativa realmente nova e os equívocos de sua campanha, são seus próprios equívocos.
"A parcela de esquerda que não bateria panelas contra Dilma Rousseff, mas também não a defenderia, aponta a falência do PT em seguir representando o que representou no passado. Aponta que, em algum momento, para muito além do Mensalão e da Lava Jato, o PT escolheu se perder da sua base histórica, numa mistura de pragmatismo com arrogância."
Como ela se arvora a dizer o que pensa "uma parcela de esquerda"?
É obvio que o PT mudou e, infelizmente, para pior. Com as coalizões que precisou fazer, em função da atual estrutura política brasileira, só poderia ser para pior, parece que contaminou-se.
Quanto a perder sua base histórica por arrogância e pragmatismo, considero o pragmatismo extremamente necessário para conseguir, por exemplo, tirar o Brasil do Mapa da Fome da ONU. Quanto à arrogância, é um dos argumentos da direita que eu já li muitas vezes no Facebook e não levo à sério!
Sim, é verdade que o PT se perdeu de sua base histórica, mas não será por "falta de pernas". Quem eram as principais lideranças do PT e do movimento social ligado ao partido? Eram aqueles que foram ou são: ministros, deputados, secretários de estado, senadores, vereadores, segundo e terceiro escalão dos nossos governos... Restaram os quadros menos importantes, muitos deles sem uma grande capacidade de análise e sem a tão necessária visão da totalidade da política. 
"O partido das ruas perdeu as ruas – menos porque foi expulso, mais porque se esqueceu de caminhar por elas. Ou, pior, acreditou que não precisava mais."
Não creio que o PT tenha perdido as ruas! Se tivesse havido para o dia 13 a mesma campanha na mídia que houve para o dia 15, e se no dia 13 a manifestação fosse mesmo em apoio à Dilma, chamada pelo PT e não só pela CUT e pelo MST, certamente, muito mais gente estaria nas ruas! 
"Não adianta ficar repetindo que só bateu panela quem é da elite. Pode ter sido maior o barulho nos bairros nobres de São Paulo, por exemplo, mas basta um pequeno esforço de reportagem para constatar que houve batuque de panelas também em bairros das periferias." 
Mesmo fazendo um esforço de busca no Google, não achei nenhuma notícia sobre bateção de panelas nas periferias! 
"Ainda que as panelas batessem só nos bairros dos ricos e da classe média, não é um bom caminho desqualificar quem protesta, mesmo que você ou eu não concordemos com a mensagem, com termos como 'sacada gourmet' ou “panelas Le Creuset'"
Eu desqualifiquei e vou dizer o porquê. Foi no Chile, que houve a primeira manifestação chamada "Ollas vacias". O motivo era a falta de produtos nos supermercados, produtos que estavam sendo escondidos pelos que queriam derrubar Allende. As gôndolas ficaram vazias e isto foi muito bem explorado pela imprensa (sempre ela!). Portanto, mesmo sendo um movimento da burguesia e da classe média, era um movimento que pedia comida! 
obs. nos dias seguintes ao golpe, as gôndolas estavam novamente cheias! E, nesta questão, Edgar Vasques fala por mim:


"Pessoas as quais é preciso respeitar mais pelo seu passado do que pelo seu presente ficaram repetindo na última semana que quem era contra o PT não gostava de pobres nos aeroportos ou estudando nas universidades, entre outras máximas. É fato que existem pessoas incomodadas com a mudança histórica que o PT reconhecidamente fez, mas dizer que toda oposição ao PT e ao Governo é composta por esse tipo de gente, ou é cegueira ou é má fé."
Pelo menos, entre os meus amigos e parentes que apoiaram a manifestação do dia 15, TODOS são contra as cotas, acham que deve-se ensinar a pescar ao invés de dar o peixe, foram contra a vinda dos médicos cubanos e não se misturam com o "andar de baixo".
"É também por isso que me parece que o grande problema para o PT não é quem foi para as ruas no domingo, nem quem bateu panela, mas quem não fez nem uma coisa nem outra, mas também não tem a menor intenção de apoiá-lo, embora já o tenha feito no passado ou teria feito hoje se o PT tivesse respeitado as bandeiras do passado. Estes apontam o que o PT perdeu, o que já não é, o que possivelmente não possa voltar a ser."
" não tem a menor intenção de apoiá-lo" " estes apontam o que o PT perdeu" e com que base, pergunto de novo, ela faz estas afirmações?
"Mas ser um partido “ético” era um traço forte da construção concreta e simbólica do PT, era parte do seu rosto, e desmanchou-se. Embora ainda existam pessoas que merecem o máximo respeito no PT, assim como núcleos de resistência em determinadas áreas, secretarias e ministérios, e que precisam ser reconhecidos como tal, o partido traiu causas de base, aquelas que fazem com que se desconheça.
Não foi o partido quem traiu, mas sim alguns poucos militantes do partido que faziam parte do Governo. O trabalho da mídia para transformar o PT no "partido da corrupção" deu tão certo que ninguém mais dá bola para as denuncias de corrupção em outros partidos! O PSDB é o partido com mais "fichas sujas", mas só o PT é corrupto; o PP teve um grande número de deputados denunciados na Lava Jato, mas só o PT é corrupto; o PMDB também teve congressistas denunciados, mas só o PT é corrupto...

 "Sobre a usina hidrelétrica já pesa a denúncia de que só a construtora Camargo Corrêa teria pago mais de R$ 100 milhões em propinas para o PT e para o PMDB. É para Belo Monte que o país precisaria olhar com muito mais atenção. É na Amazônia, onde o PT reproduziu a visão da ditadura ao olhar para a floresta como um corpo para a exploração, que as fraturas do partido ao chegar ao poder se mostram em toda a sua inteireza."
Ela repete literalmente a forma de agir da imprensa livre (de propriedade de poucas e abastadas famílias), já que a acusação sobre a Camargo Corrêa faz parte dos vazamentos seletivos de uma "delação premiada" sobre a qual não há nenhuma prova.
Sobre a Amazônia, confesso que pouco conhecia os dados, mas fiquei muito faceira quando encontrei isto: " Brasil é exemplo de sucesso na redução do desmatamento, diz relatório da ONU", em 2014.

"Essas pessoas se sentem traídas porque o partido rasgou suas causas e se colocou ao lado de seus algozes... Algumas dessas pessoas choraram neste domingo, dentro de casa, ao assistir pela TV o PT perder as ruas, como se diante de um tipo de morte."
"Era o partido “diferente”. Quem acreditou no PT esperou muito mais dele, o que explica o tamanho da dor daqueles que se desfiliaram ou deixaram de militar no partido. A decepção é sempre proporcional à esperança que se tinha depositado naquele que nos decepciona."
Afinal, quem são "estas pessoas", serão os conhecidos e amigos dela? E quantos militantes se desfiliaram?
Quanto a deixar de militar, eu fiz isto, mas não por desilusão. Não milito como antes porque creio que os atuais líderes do PT não sabem mais o que é isto!
 "O PT deve à sociedade brasileira um ajuste de contas consigo mesmo, porque o discurso dos pobres contra ricos já virou fumaça. Não dá para continuar desconectado com a realidade, que é só uma forma estúpida de negação."
O PT não deve à sociedade! Deve a nós, seus militantes, uma autocrítica ou uma "refundação" como queria o Tarso Genro. Mas, nunca porque  "o discurso dos pobres contra ricos já virou fumaça".
"É cegueira ou é má fédizer que pobres e ricos não têm diferentes interesses e oportunidades, o que, muitas vezes, os deixa em lados opostos.
Enfim, acho que todas as conclusões dela são baseadas em "achismo"! Uma pena...
p.s. quem quiser ler completo: 

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