Em 1988, trabalhava no CODEC
(Conselho de Cultura do Estado/ RS) quando conheci o engenheiro responsável pela
montagem das arquibancadas de um evento que eu estava produzindo.
Com muito orgulho contou que o seu filho organizava as “Semanas Culturais” (não tenho certeza se era este o nome) do Colégio Militar, onde estudava. Pedi que ele falasse com o filho sobre a possibilidade dele trabalhar comigo na preparação do evento (acho que era a Latinomusica, onde estiveram presentes vários grandes nomes da música deste nosso canto sul do mundo e dentre eles Chico Buarque). Ele nunca apareceu e eu esqueci o assunto.
Dois anos depois, solicitei reingresso
para o curso de Comunicação da UFRGS e nos primeiros dias de aula conheci o
Alexandre. Foi amor à primeira vista.
Um belo dia contou que há uns anos o pai sugeriu que ele procurasse uma amiga que trabalhava no CODEC, onde havia uma possibilidade de estágio. Ele nem pensou em fazer isto porque imaginou que esta amiga do pai não teria nada a ver com ele. E assim nosso encontro foi adiado, rsrs
No ano anterior eu havia perdido um grande amigo, um irmão de alma, Alexandre Schneiders da Silva. Quanto mais convivia com meu novo amigo, mais me dava conta das semelhanças entre eles: a inteligência, a sensibilidade, o carinho, a homossexualidade, a profundidade de suas reflexões e o grande amor pela Elis. Quando descobri que o sobrenome era Rocha da Silva, fiquei muito impressionada, era demais, rsrs
Não posso dizer que o Alexandre Rocha tenha vindo substituir o outro Alexandre porque cada querido da gente ocupa um lugar especial no nosso coração, mas me ajudou muito a aceitar a ausência.
Fomos nos conhecendo mais, nos gostando mais, abandonei a faculdade mas não nos
abandonamos.
Ele contava que eu fui a primeira
pessoa a visitá-lo quando criou asas e foi morar sozinho. E ríamos muito quando
nos lembrávamos do dia em que foi estudar na minha casa e eu só ofereci
acepipes saudáveis, quando o que ele gostava de comer eram aquelas porcariazinhas
industrializadas, rsrs
Riamos muito, sempre ríamos muito
quando estávamos juntos. Muitas vezes ele se aprofundava tanto me contando
sobre os temas de suas pesquisas que eu precisava pedir para ele parar porque
não estava entendendo nada, rsrs.
Foi um grande fã e incentivador
do meu cantar, muito mesmo e nunca se conformou por eu ter paraddo de cantar!
Mudei para Florianópolis, mas continuamos juntos. No início deste ano ligou para contar que tinha descoberto um câncer no pâncreas e que teria pouco tempo de vida. Nem sei dizer o que senti, nenhuma palavra pode expressar. Contou também que casaria com o seu amor Daniel e, com alegria, estive com eles na festa virtual que celebrou este momento feliz.
Ontem à noite se foi e deixou um lugar vazio no meu e em muitos outros corações.
Vai em paz, querido amigo. Te amo pra sempre, Alexandre.
E mais uma destas coincidências! Antes de encontrar o Alexandre, montei para a Prefeitura de Porto Alegre uma exposição sobre o projeto "O Guaíba Vive".
E quem estava na foto, captada pelo fotógrafo da prefeitura, admirando a exposição?
Ao som de "Cais":
p.s. o casamento do Alexandre com Daniel foi comemorado com uma festa virtual e registrei o momento em um vídeo: