Na minha infância, a bisavó Glória morava conosco. Morreu quando eu tinha 10 anos.
Negra, casou-se com o filho de um
alemão e nasceram vários filhos mulatos com sobrenome alemão.
Sua filha, minha avó Elvira, casou-se com o filho de uma espanhola e de um italiano. Me dizia que, se morássemos nos EUA, teríamos que entrar nos ônibus pela porta dos fundos! Nunca entendi muito bem...
Suas amigas mais próximas eram
todas negras e mulatas.
Minha mãe, sua filha, casou-se com o filho de um autêntico nobre português e de uma missioneira de São Luiz Gonzaga. Os amigos dos meus avós paternos eram todos brancos.
Mas, eu nunca notei grande diferença entre todos estes personagens da minha infância.
Uma vez, o nosso cachorro
"comeu" quase todos os seus bonequinhos do Play Mobil e só sobraram
os bonecos negros.
Eles reclamaram muito, dizendo que
"só tinham ficado com bonequinhos negros".
Quando perguntei o porquê desta
bobagem, já que convivíamos com uma negra e gostávamos muito dela, a reação foi
de espanto.
Até hoje lembro a expressão deles,
que nunca tinham se dado conta da diferença na cor da pele...
Eu também, só quando já era adolescente, olhando essa foto da minha bisavó, me dei conta de que ela era negra e bem negra!
Nenhum comentário:
Postar um comentário