Para
mim esta é uma data de muitas recordações.
Em
1954, eu vivia em Porto Alegre e tinha 7 anos quando o presidente Getúlio
Vargas se suicidou.
Getúlio,
chamado de “Pai dos pobres”, era amado pelo povo trabalhador em função de sua defesa
dos direitos trabalhistas e, naquele dia, as manifestações de revolta foram violentas.
Para eles, Getúlio havia sido levado ao suicídio pelos seus opositores.
Os
“Diários Associados,” uma poderosa empresa nacional de comunicação, desenvolvia
uma ferrenha campanha antigetulista em todos os seus veículos (pois é, só mudam
as moscas...). Em Porto Alegre, era proprietária de um importante jornal, o “Diário
de Notícias”, e da principal emissora de rádio do estado: a “Rádio Farroupilha”.
Morávamos na rua Riachuelo, a algumas quadras da rádio que ficava na rua Duque de Caxias. Quando meu pai ficou sabendo (certamente, pelo rádio) que os manifestantes estavam incendiando o prédio, me pegou pela mão e fomos para lá! Lembro de estar encarapitada nas costas dele para poder ver melhor, rsrs
Meu
avô Sampaio era candidato a governador do Estado pela Frente Popular, composta
por partidos de esquerda. Ao lado da nossa casa, havia um comitê da campanha
dele e tenho a lembrança da preocupação da minha família, com medo de que fosse
depredado. Temiam também que meu avô, que estava em campanha no interior, fosse
agredido. Mas, nada disto aconteceu.
Houve
uma cerimônia no Rio de Janeiro e depois, no dia 24, o corpo foi levado para Brasília
para ser enterrado lá.
Meu
marido e eu nos postamos num ponto do trajeto em que o cortejo faria do
aeroporto até a catedral onde seria velado. Mas não houve cortejo, o caixão foi
colocado dentro de uma Kombi que passou em altíssima velocidade, seguida por
centenas de carros. Foi uma decepção!
Minha
avó Dulce estava em Brasília, para acompanhar o meu parto, hospedada na casa de
nossos queridos amigos Majzinha e Chico Meirelles. Eles moravam na Asa Sul, bem
pertinho da avenida por onde, no final da tarde, passaria, o caixão com o corpo
de Juscelino.
Apesar
do tamanho da minha barriga, eu queria participar e minha avó convenceu os
demais, que ficaram preocupados, de que eu poderia ir. Pegamos os banquinhos da
cozinha e lá fomos nós.
Os
milicos programaram que o transporte do caixão até o cemitério seria feito em
um carro de bombeiros. Mas, a multidão emocionada de milhares de pessoas não
permitiu. Então, o caixão foi levado por eles que cantavam o hino nacional, o “Peixe
Vivo” (a música preferida de Juscelino) e gritavam vivas à democracia.
Não lembro se chorei, mas hoje esta vivência me emociona.
No
dia seguinte, só alegria, nasceu meu filho Ricardo!
2 comentários:
Bonito o relato. Obrigado Mãe
beijo, filho <3
Postar um comentário