Era verão de 2001 e uma tarde
“daquelas” em Porto Alegre, um calorão que só quem mora lá sabe o horror que é.
Eu trabalhava na Comunicação da prefeitura. Um belo dia, me chamaram na portaria (em geral, eu era chamada nos "momentos complexos") e encontro um senhorzinho esbravejando, furioso. Demorei a entender o que estava acontecendo, até que ele virou de costas e me mostrou a parte detrás das calças: toda manchada de tinta amarela!
O que aconteceu? Ele quis descansar à sombra e se sentou num banco na Praça Daltro Filho (para quem é da cidade, aquela na frente do Cinema Capitólio). Só que o banco estava recém pintado de amarelíssimo ouro... Como “desgraça pouca é bobagem” ele caminhou oito quadras sob o sol inclemente para chegar até a prefeitura. Imaginem, então, como chegou lá.
A responsabilidade pela pintura era do Departamento de Limpeza Urbana, órgão da prefeitura, portanto, ele estava no lugar certo. Imaginem a cena: o senhorzinho cansado, suado, furioso e dizendo com muito orgulho que a calça era do Renner.
Depois de conseguir acalmá-lo, entendi que caberia a nós a solução. Sabe-se lá se não era a única calça social dele. Assim, pedi que voltasse trazendo a calça, ainda sem saber como seria resolvido. Convenhamos, a situação era engraçada, não pra ele, é claro, rsrs
Fui conversar com o chefe, já
que, ao fim e ao cabo, era ele quem teria que resolver. Pediu que eu fosse ao Renner para descobrir o valor da calça. Vi e não
era nada barata!
O senhorzinho voltou com a calça, mas não havia como resolver o problema administrativamente. O chefe estava brabo porque ele não comprava calças tão caras, rsrs A solução que encontrou foi levar a calça na reunião do secretariado, expor o acontecido e fazer uma “vaquinha”. Deu certo!
Conclusão: Fui à loja com a vítima, comprei a
calça e ele ficou feliz!
Como a calça ficou conosco, quando voltei, vesti por cima do meu jeans e desfilei com ela pela Comunicação, rsrs
E por que escrevo isto hoje? Porque encontrei no Facebook a ilustração perfeita para esta história e me lembrei dela.