12.1.25

Histórias do Zeca

Zeca era o apelido familiar do meu pai, o Sampaio (como ele assinava os seus cartuns). Há oito anos, no dia 12 de janeiro ele nos deixava, com 89 bem vividos anos.

Em julho de 2016, foi descoberto um inoperável câncer no seu pulmão, apesar dele ter parado de fumar em 1979. Em nenhum momento sofreu alguma dor física e partiu tranquilo como uma vela que se apaga.

Ele foi um dos primeiros cartunistas profissionais do Rio Grande do Sul (se não o primeiro), publicando na prestigiada Revista do Globo, nos anos 1940 e 1950. Depois seguiu publicando seu trabalho em vários jornais e inclusive na TV.

Nos anos 1980, resolveu abandonar o jornalismo para se dedicar somente à sua carreira de servidor público no TRE/RS, mas, nunca parou de desenhar.

Hoje, no Facebook, vi uma foto que me lembrou uma história que meu pai contava.

                

Foto:"Homem segurando uma árvore durante o furacão Carol", 1954 (foto atribuída a Stanley Hall)

Um dia, toda a família estava reunida na casa dos meus avós, mas meu pai ainda não tinha chegado. Chovia a cântaros em Porto Alegre, com uma ventania muito forte.

Quando ele chegou, alguém perguntou como estava na rua, ao que ele respondeu: "O vento está tão forte que em cada árvore há um guarda segurando pra ela não cair". 

Pra que foi dizer isto? Minha mãe acreditou e foi correndo para espiar na janela e todos riram. Que maldade... 

Lembrei de outras histórias que vou contar pra vocês:

Essa não teve testemunhas e a minha mãe ficava braba quando ele contava, mas ria muito e dizia era mentira. Sabe-se lá, rsrs

Teria acontecido na praia de Arroio do Sal, litoral do Rio Grande do Sul. Minha mãe não sabia nadar e tinha muito medo do mar. Era uma pessoa comumente chamada de "um prego dentro d´água".

Meu pai estava na areia quando a minha mãe, do mar, começou a gritar: - "Zeca, socorro, estou me afogando!" e, calmamente, meu pai teria respondido:- "Fique de pé!". E, reza  a lenda que ela ficou em pé e a água estava na altura dos joelhos, rs

Como o mar no litoral gaúcho tem buracos, então pode até ter sido verdade, mas nunca saberemos...

Seu Sampaio e Dona Norma

Não sei se ainda existe um jogo de dados chamado General que meu pai costumava jogar com os amigos no bar do Juvenal, na rua André da Rocha em Porto Alegre. Perto dali havia um quartel do exército.

Num belo dia, na época da ditadura, um oficial chegou lá, não gostou da jogatina com o nome de General e cobrou uma atitude do dono do bar para acabar com aquilo.

Meu pai se meteu, o milico não gostou e o chamou "pra briga". Como ele não era de briga respondeu: "Não bato em homem fardado". Então, rapidamente, o homem tirou a parte de cima da farda, se preparou para brigar e escutou: "Não bato em homem pelado".

Ao ouvirem isto os amigos que estavam no bar caíram na risada. O valentão não aguentou o deboche e teve que ir embora.

Meu pai tinha horror dos milicos! Dá pra perceber?

"E acabou-se o que era doce, quem comeu se regalou-se"


2 comentários:

Ricardo Dagnino disse...

Muito bom relembrar essas histórias. Obrigado mãe.

Maria Lucia disse...

É bem isso, filho! Beijo