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Histórias do Zeca

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Zeca era o apelido familiar do meu pai, o Sampaio (como ele assinava os seus cartuns). Há oito anos, no dia 12 de janeiro ele nos deixava, com 89 bem vividos anos. Em julho de 2016, foi descoberto um inoperável câncer no seu pulmão, apesar dele ter parado de fumar em 1979. Em nenhum momento sofreu alguma dor física e partiu tranquilo como uma vela que se apaga. Ele foi um dos primeiros cartunistas profissionais do Rio Grande do Sul (se não o primeiro), publicando na prestigiada Revista do Globo, nos anos 1940 e 1950. Depois seguiu publicando seu trabalho em vários jornais e inclusive na TV. Nos anos 1980, resolveu abandonar o jornalismo para se dedicar somente à sua carreira de servidor público no TRE/RS, mas, nunca parou de desenhar. Hoje, no Facebook, vi uma foto que me lembrou uma história  que meu pai contav a.                  Foto:"Homem segurando uma árvore durante o furacão Carol", 1954  (foto atribuída a  Stanl...

Um Natal inesquecível

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Em 1986, meus filhos estavam com o pai  e eu fui com a minha avó e a minha tia passar o Natal em  São Paulo .  A festança seria na casa de uma das minhas primas com toda a parentalha "paulistana" presente.  Algumas das crianças ainda acreditavam no Papai Noel e era uma tradição deles a presença do "bom velhinho"  ao vivo e a cores.  Mas, algumas estavam naquela fase do acredito/não acredito e por isto o Papai Noel não poderia ser o meu tio, como rezava a tradição. Certamente, seria reconhecido pelas mais velhas. Chegamos em São Paulo poucos dias antes da festa de Natal e estávamos hospedadas na casa dos meus tios. As crianças ainda não tinham me visto e, além disto, nos víamos poucas vezes durante o ano, portanto,  difícilmente me reconheceriam. Sendo assim,  eu fui a escolhida para ser o Papai Noel e achei bem bom! Ainda não tinha a roupa que eu usaria, rsrs  Meus tios e sua família, anos antes, haviam vivido nos Estados Unidos e a roupa tin...

Viva o Cinema Brasileiro!

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E viva Marcelo Rubens Paiva, Walter Salles, Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Selton Mello, Murilo Hauser e Heitor Lorega (roteiristas) e toda a equipe! Viva Eunice e Rubens Paiva, e VIVA A DEMOCRACIA! https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/geral/audio/2025-01/fernanda-torres-e-primeira-brasileira-conquistar-o-globo-de-ouro

A calça amarela!

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  Era verão de 2001 e uma tarde “daquelas” em Porto Alegre, um calorão que só quem mora lá sabe o horror que é. Eu trabalhava na Comunicação da prefeitura. Um belo dia, me chamaram na portaria (em geral, eu era chamada nos "momentos complexos") e encontro um senhorzinho esbravejando, furioso. Demorei a entender o que estava acontecendo, até que ele virou de costas e me mostrou a parte detrás das calças: toda manchada de tinta amarela!  O que aconteceu? Ele quis descansar à sombra e se sentou num banco na Praça Daltro Filho (para quem é da cidade, aquela na frente do Cinema Capitólio). Só que o banco estava recém pintado de amarelíssimo ouro... Como “desgraça pouca é bobagem” ele caminhou oito quadras sob o sol inclemente para chegar até a prefeitura. Imaginem, então, como chegou lá.   A responsabilidade pela pintura era do Departamento de Limpeza Urbana, órgão da prefeitura, portanto, ele estava no lugar certo. Imaginem a cena: o senhorzinho cansado, suado, furioso e ...

Viva o Dia da Consciência Negra!

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  Na minha infância, a bisavó Glória morava conosco. Morreu quando eu tinha 10 anos. Negra, casou-se com o filho de um alemão e nasceram vários filhos mulatos com sobrenome alemão. Sua filha, minha avó Elvira, casou-se com o filho de uma espanhola e de um italiano. Me dizia que, se morássemos nos EUA, teríamos que entrar nos ônibus pela porta dos fundos! Nunca entendi muito bem... Suas amigas mais próximas eram todas negras e mulatas. Minha mãe, sua filha, casou-se com o filho de um autêntico nobre português e de uma missioneira de São Luiz Gonzaga. Os amigos dos meus avós paternos eram todos brancos. Mas, eu nunca notei grande diferença entre todos estes personagens da minha infância. minha bisavó com a minha mãe Meus filhos tiveram uma babá negra que adoravam. Uma vez, o nosso cachorro "comeu" quase todos os seus bonequinhos do Play Mobil e só sobraram os bonecos negros. Eles reclamaram muito, dizendo que "só tinham ficado com bonequinhos negros". ...

Caneca quebrada!

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  Pois é, tudo começou com uma caneca quebrada! Enviei este vídeo para minha amiga Susana Hausen, arquiteta como eu e minha colega na Prefeitura de Porto Alegre. Usávamos um carimbo com os nossos nomes quando assinávamos os pareceres nos processos. E qual era o sonho dela?  Ter um carimbo escrito "foda-se", rsrs.  O resto eu conto no vídeo que mandei para a Suzana: Então, recebi a seguinte resposta: "Temos que fazer um curso pra formar mágicos. É completamente impossível, ter-se um bom dia neste planeta, caso sejamos pessoas conscientes. É impossível acreditar, que conseguiremos, enquanto humanidade, a reversão de tanto dano causado. Todo mundo acha que haverá solução. A solução já passou da hora! A maldade deste bicho homem é absurda! É como dizia aquele personagem do Jô Soares: "Tira o tubo!" Estamos quase nos oitenta anos e não temos o direito de sonhar um mundo melhor! Neste quadro terrível estamos todos fodidos e alquebrados. Assim, nada mais digno que u...

24 de agosto

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Para mim esta é uma data de muitas recordações. Em 1954, eu vivia em Porto Alegre e tinha 7 anos quando o presidente Getúlio Vargas se suicidou. Getúlio, chamado de “Pai dos pobres”, era amado pelo povo trabalhador em função de sua defesa dos direitos trabalhistas e, naquele dia, as manifestações de revolta foram violentas. Para eles, Getúlio havia sido levado ao suicídio pelos seus opositores. Os “Diários Associados,” uma poderosa empresa nacional de comunicação, desenvolvia uma ferrenha campanha antigetulista em todos os seus veículos (pois é, só mudam as moscas...). Em Porto Alegre, era proprietária de um importante jornal, o “Diário de Notícias”, e da principal emissora de rádio do estado: a “Rádio Farroupilha”. Morávamos na rua Riachuelo, a algumas quadras da rádio que ficava na rua Duque de Caxias. Quando meu pai ficou sabendo (certamente, pelo rádio) que os manifestantes estavam incendiando o prédio, me pegou pela mão e fomos para lá! Lembro de estar encarapitada nas cos...