12.12.18

Ria por favor!


Em setembro deste ano lancei o livro de cartuns do Sampaio, meu pai, irmão mais velho do SamPaulo e falecido em 20017.
Mil exemplares foram distribuídos e agora vai ser vendido por um preço acessível, para que mais gente possa conhecer o trabalho dele.
O livro está à venda na loja virtual da Editora Insular e, sem falsa modéstia, é um ótimo presente!
 http://loja.insular.com.br/product_info.php/products_id/1197

O trabalho dele está em:
http://sampaio-cartunistagaucho.blogspot.com/



30.7.18

Chile, setembro de 1973/ segunda parte

  "Hay más verdad en los recuerdos que en la historia."
Remis Ramos Belmar


Em setembro de 2013, escrevi a primeira parte deste relato e precisei de quase cinco anos para escrever a continuação que publico hoje.
Quero que, pelo menos, meus netos fiquem sabendo destas vivências dos seus avós e espero que contem para seus filhos e que seus filhos contem para seus filhos e assim por diante...

* para ler o início já publicado é só clicar no link acima.

Base naval de Talcahuano
No final do dia 12 de setembro, um dia depois do golpe, fomos finalmente identificados pela Marinha, na Base Naval de Talcahuano. Não lembro se perguntaram alguma coisa ou se só checaram os nossos documentos, mas, pelo menos alguém viu que existíamos!
Confiscaram nossos cintos, os cadarços dos sapatos e aquele meu desodorante que não era uma bomba... O forro da cinta do Renato tinha um ziper e ali 40 dólares que nunca mais apareceram.
Depois nós, só as mulheres, fomos levadas para a cela da base naval, uma sala relativamente grande, com vários beliches e grades nas janelas. Fiquei imaginando que, não fazia muito tempo, os marinheiros leais a Allende haviam estado ali (tenho guardado até hoje um botão dourado de uniforme que encontrei no chão).
Sempre fui claustrofóbica e tinha pensado muitas vezes como me comportaria se algum dia fosse presa. Pois me comportei muito bem! Só muitos dias depois, já em liberdade, me dei conta de que teria sido impossível sair dali quando eu bem entendesse, rsrsrs.
Depois de quase 12 horas sem comer (a não ser o sanduíche dado pelo cossaco), no final do dia nos deram um maravilhoso e quente café com leite e um sanduíche bem grande. Mas, grande também era o medo: o que ia acontecer conosco? E o Renato, onde estaria?
No meio da noite chegou uma companheira brasileira, Áurea, que estava há pouco ao Chile.

Ilha Quiriquina
No dia seguinte, 13 de setembro, um barco nos levou para a Ilha Quiriquina, a 11 km de Talcahuano, onde havia uma “Escuela de Grumetes” e um forte onde os marinheiros presos em agosto teriam sido torturados.
Será que sairíamos vivos de lá?
Chegando à ilha fomos levadas para o ginásio de esportes e ao entrar fomos aplaudidas pelos homens. Éramos as primeiras mulheres a chegar. 
Enfim, reencontrei Renato.
Ali passamos todo o dia aguardando sermos chamados para um interrogatório que definiria o nosso destino. 
Não lembro o que nos davam para comer... Mas lembro que nossos sentinelas eram jovens adolescentes, aspirantes a marinheiro, que tinham muito medo de nós. Soube depois que haviam sido doutrinados e que nos temiam de verdade. 
Não sei quem tinha mais medo de quem, se nós deles ou eles de nós. Mas havia uma grande diferença: eles tinham submetralhadoras carregadas apontadas para nós! Eu tinha a certeza de que, se tropeçasse ou tossisse, eles atirariam em mim.
Lembro que o banho de sol era dentro de uma piscina vazia e as armas estavam sempre apontadas para nós. O medo crescia...
Chegavam novas levas de detidos que traziam notícias, mas ninguém sabia muito bem o que estava acontecendo, se havia resistência, se havia muitas pessoas presas, as informações eram muito desencontradas.

Renato e eu participávamos do movimento estudantil e éramos simpatizantes do MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária) que tinha uma postura crítica em relação à Unidade Popular e entre os presos havia alguns companheiros “miristas” da Universidad de Concepción.
Nós já havíamos combinado a história que contaríamos para os milicos. Nesta história estávamos no Chile para estudar e não tínhamos nenhum envolvimento político. Por causa disto, não podíamos ficar conversando com os colegas porque, certamente, haveria delatores infiltrados.
Os chilenos não tinham nenhuma experiência com a repressão (o último golpe de estado havia sido nos anos 30), não tinham noção de regras mínimas de segurança que deveriam ser seguidas naquela situação. Tínhamos que pedir a eles que não falassem conosco, até porque nós também poderíamos prejudicá-los. Infelizmente, por inexperiência, alguns não entendiam a nossa recusa em conversar. Foram momentos difíceis e tristes, em que parte dos nossos companheiros chilenos não entendia o risco que todos estávamos correndo.
 No final do dia, só as mulheres fomos levadas para dois quartos com beliches. Com as luzes acesas e a porta aberta, dois milicos armados passaram a noite caminhando de um lado para o outro no corredor e nós não conseguimos dormir. 
Lá pelas tantas, escutamos aviões sobrevoando a ilha e ficamos aterrorizadas, com medo de que fossem de forças contrárias ao golpe (uma das companheiras havia contado que, em caso de ataque, os prisioneiros seriam mortos). Mas, não aconteceu nada e até hoje não sei que aviões eram aqueles. Felizmente, só passei esta noite na ilha, uma noite terrível.
Na manhã seguinte, 14 de setembro, novamente fomos levadas para o ginásio de esportes onde dormiam os homens. As camas haviam sido retiradas e os colchões estavam no chão frio e úmido. Como o lastro das camas era feito de lâminas de metal, alguns resolveram fazer “facas” com elas, afiando-as no chão. É claro que os milicos ficaram sabendo.
Quanta ingenuidade dos companheiros...

Saindo da Ilha
Finalmente, naquele dia, fui chamada para o interrogatório e quando pedi a presença do Cônsul do Brasil riram de mim. Pedi só para constar porque sabia que os milicos não estavam respeitando nenhum acordo internacional.
Contei o que tínhamos combinado e eles concluíram que eu não tinha participação política e que poderia ir embora da ilha. Áurea, a outra brasileira, também foi liberada, mas Renato não foi interrogado e passaria outra noite lá.
Um rebocador nos levou de volta à Base Naval, no continente, junto com umas 20 pessoas que também estavam sendo liberadas (pelo menos, era o que parecia).

O MIR tinha militantes “públicos” e militantes “fechados” e, para minha surpresa, estava conosco no barco o apresentador de todos os comícios e atos do MIR. Como era uma figura muito conhecida, estranhei que não soubessem quem era. Que sorte, pensei, não o reconheceram.
Era noite quando chegamos à base. Nos separaram em dois grupos: o nosso foi levado a um escritório e o outro sumiu na escuridão. O militante “aberto”, que não ficou conosco, é um dos muitos que foram “desaparecidos” pelos milicos. 
Enquanto estávamos lá, vi muitos homens bastante machucados chegarem em caminhões militares. Inesquecível a cena de um velho sendo empurrado violentamente de cima do caminhão e o rosto deformado pelos golpes do Secretário Geral da Federação de Estudantes da Universidade de Concepción, o militante comunista Antonio Leal. Soube depois que eles eram levados para o forte que havia em outra ponta da ilha, onde eram cruelmente torturados e de onde muitos nunca mais voltaram.
Os milicos nos comunicaram que seríamos liberados e que ganharíamos um salvo conduto para podermos andar na rua durante o toque de recolher que já havia iniciado. Queriam que eu e Áurea desembarcássemos do ônibus em uma avenida de onde teríamos que caminhar três quadras para chegar ao edifício onde Renato e eu morávamos. Teríamos que fazer este trajeto com as mãos na nuca e com o salvo conduto na mão, de forma bem visível.
Reclamei e disse que desta forma não sairíamos. Não expliquei as razões, mas tínhamos ficado sabendo que os milicos estavam estuprando mulheres durante o toque de recolher e, além disto, corríamos o risco de levar um tiro.
O oficial que estava nos atendendo disse rispidamente que já tinha ouvido falar que as mulheres brasileiras eram bastante voluntariosas e opinativas, mas que não sabia que era tanto, rsrsrs
Resumindo: ganhamos o tal salvo conduto e dois milicos nos acompanharam até a porta do apartamento, bem como eu queria.
Durante a noite, Áurea e eu escutamos a porta do medidor de gás, no corredor, ser aberta e fechada. Pela manhã, encontramos lá dentro uma bandeira nazista. Armei um escândalo para que todos os vizinhos vissem e queimamos a bandeira (um dos comunicados determinava que fossem destruídos todos os símbolos de partidos de esquerda e do nazismo, rsrsrsrs. Me engana que eu gosto!).
No dia seguinte, Renato foi liberado.

De volta pra casa
Livres, nossa primeira tarefa foi sumir com livros, revistas e documentos que ainda tínhamos em casa, mas não lembro como fizemos isto. Quando nos liberaram fomos avisados que receberíamos a “visita” de milicos do exercito para inspecionar o apartamento. Além disto, corríamos o risco de ser denunciados por algum vizinho golpista. 
A segunda tarefa, igualmente importante, era avisar às nossas famílias que estávamos sãos e salvos, pelo menos até aquele momento.
Fomos aos Correios, mas não havia possibilidade de enviar um telegrama e as chamadas internacionais estavam proibidas.
Como tínhamos o endereço de um radio amador (amigo do pai de grandes amigos nossos em Porto Alegre) fomos até a casa dele e nos apresentamos como amigos do Dr. Fulano (que também era radio amador).



Enquanto ele nos explicava que estavam proibidas as comunicações por rádio, bateram na porta e entrou um homem com uma arma na mão. Foi na direção do Renato  gritando: “tu és brasileiro”. Me indignei, pedi explicações, ele não deu bola e saiu com o Renato, sempre gritando: “és daqueles estrangeiros que vêm roubar nossas mulheres!”. Soube depois, pelo Renato, que ele pensou que eu era chilena. Sorte a nossa!
O radio amador apavorado me botou porta a fora. E agora, o que fazer?

Voltando a 1971: quando resolvi viver no Chile com o Renato, minha mãe quis que casássemos pela lei brasileira e para nós isto não fazia diferença.O casamento teria que ser no Consulado Geral e ela tratou de todos os trâmites. Embarquei levando a papelada para podermos casar.
Concepción só tinha um Cônsul Honorário, Don Erick, um velhinho inglês muito simpático. Quando cheguei fui conversar com ele, que se dedicou de corpo e alma para nos casar, inclusive oferecendo para colocar o seu endereço na certidão como sendo o meu, já que eu morava com o noivo, rsrsrsr.
Depois disto, ficamos amigos. De vez em quando eu o visitava e, como ele não falava em política, eu não precisava expor o que pensava.  
Voltando a 1973: depois que o homem levou o Renato e eu fui expulsa da casa, não tinha a quem recorrer porque não sabia onde estavam os amigos brasileiros e nem em que situação estavam os amigos chilenos.
Então, fui procurar Don Erick e relatei o que tinha acontecido. Como tínhamos sido liberados pela Marinha, ele ficou com a certeza de que não éramos de esquerda. 
Por casualidade e para nossa sorte, sua filha era secretária do contra-almirante golpista Jorge Paredes, comandante da II Zona Naval.  Ele imediatamente telefonou para ela, relatou o caso e me tranquilizou porque o Renato seria libertado, o que realmente aconteceu
Um colega da universidade viu o Renato entrando na casa do radio amador e o denunciou para o um policial como brasileiro apoiador do Allende.
Depois disto, Renato tirou a barba, cortou o cabelo bem curto e quase não saia de casa. Diferentemente de mim, que sempre falei até com os cachorros da rua, ele não se relacionava com os colegas de direita e ficamos com medo de novas denúncias.
Mantínhamos o nosso apartamento arrumadíssimo esperando a tal “visita” dos milicos, até que eles apareceram. Pediram os documentos do Renato, olharam todo o apartamento e nem ligaram para mim, toda bonitinha de avental, me fazendo de dona-de-casa. Nem os meus documentos pediram.

Apesar de já termos decidido sair do Chile, fomos à Universidad de Concepción fazer a nossa rematrícula. Não encontramos ninguém conhecido.
 Conseguimos localizar uma parte dos amigos brasileiros num refugio do Comitê Nacional de Ajuda aos refugiados, ligado ao Conselho Mundial de Igrejas e fomos visitá-los. Nos cadastramos para ter um pouco mais de segurança. Outros amigos brasileiros foram levados para a Ilha Quiriquina, onde passaram fome e frio durante muitos meses, até poderem sair do Chile rumo ao exilio. Tivemos sorte de ter estado lá nos primeiros dias depois do golpe.

Mais informações em: Centro de Detenção/ Ilha Quiriquina


em outubro, jornalistas de Concepción visitaram a ilha.

















Dentro da piscina vazia nossos amigos brasileiros
 Tomaz, Lucio, Vando e Joaquim Jaime.



Dia 18 de outubro fomos para Santiago, de onde sairia nosso avião para Porto Alegre. No caminho para o aeroporto pedimos ao motorista do taxi que passasse em frente ao Palácio de La Moneda, em parte destruído pelo bombardeio do dia 11 de setembro.
O Presidente Allende morreu ali. A emoção que senti é indescritível.

Renato e eu embarcamos para Porto Alegre com uma enorme tristeza nos nossos corações. Havia fracassado a “via chilena para o socialismo” e o “homem novo” do Che Guevara voltava a ser apenas um sonho.






22.10.17

70 anos!

A partir de hoje, 22 de outubro de 2017, quando alguém perguntar a minha idade, vou ter que responder: 70 ANOS.
Adoro e sempre adorei fazer aniversário e, sempre que pude, festejei.
Quando pequena era a minha mãe que, com alegria e competência, se encarregava da festa.
Depois, a tarefa era minha e eu sentia a mesma alegria.
Sou filha única, minha mãe é filha única e a mãe dela, a avó com quem morávamos, era a única filha mulher num bando de homens. Pelo lado do meu pai, fui a primeira neta e a primeira sobrinha de tios adolescentes pra quem eu era um brinquedo.
Portanto, me acostumei a ganhar atenção e até hoje gosto, rsrsrs
Tem dia melhor pra gente ser paparicado do que o dia do nosso aniversário?
Por isto, nunca deixei ninguém esquecer, e alguns dias antes já estava lembrando a todos a efeméride, como registrou o Claudio Levitan nos nossos tempos de faculdade.  


Hoje estou um pouco assustada.
Vendo as fotos da festa dos 70 anos da minha avó, em 1976, constato que ela era uma velhinha! Já olhando as fotos dos meus pais e tios, que viraram setentões no final dos anos 90, vejo que eles já não eram tão velhinhos. E, com tristeza, penso no meu tio Paulo e na Vó Elvira, que não chegaram lá.

Estou assustada porque a minha idade não está combinando comigo. Não me sinto velha, nem quando me olho no espelho. Acho que a minha idade não está combinando comigo.
Como legalmente, sou idosa há dez anos, devo respeitar a lei e, com um pouco de atraso, me achar idosa?
Ao mesmo tempo, entretanto, me vejo com as características desta etapa da vida.
A pele perde o seu antigo viço, aparece um código de barras nos lábios, se instalam as rugas e os cabelos brancos, vem uma dorzinha aqui, uma dorzinha lá,  sinto que tenho menos força e que canso mais rapidamente e todo o santo dia preciso tomar remédios (para a tireoide e para o colesterol, herança da família Sampaio).
Não esquecendo que  tudo despenca (menos as gengivas, como diria a minha tia)...
Mas, aconselho a não procurar no Google todas as mudanças que a velhice traz, interna e externamente, porque é APAVORANTE!

No dia a dia, me acompanham as atrapalhações.
Abro o armário com o prato na mão para usar o micro-ondas ou abro o micro-ondas para guardar o prato no armário!
Esqueço onde deixei o celular, as chaves, a bolsa, etc, etc e etc...
Saio da cozinha, super decidida, com a intenção de buscar alguma coisa no quarto. No meio do caminho esqueço o que era, e tenho que refazer o trajeto e, muitas vezes nem assim descubro o que era.
Conversando é a mesma coisa: no meio de uma frase, se me distraio com alguma coisa, esqueço o estava dizendo.
E não riam, porque todo mundo vai chegar lá, e quem já passou da “meia idade” sabe bem sobre o que estou falando.

Este é o meu conflito: sei que estou velha e não me sinto velha.
A sorte é que, junto com as mazelas que a velhice traz, tenho tudo o que vivi impregnado em mim, moldando quem sou.
Hoje, me sinto mais sábia! Não mais sábia do que os outros, jovens ou velhos, mas mais sábia do que eu era ontem.
Vivi intensamente, conheci pessoas maravilhosas, tive e tenho amigos, uma família solidária, divertida, talentosa e ancestrais de quem me orgulho.
Me dediquei a muitas causas  e produzi coisas legais, para mim e para outras pessoas .
Tenho muito para lembrar tendo a certeza de que sempre fiz o melhor que eu pude, acertando ou errando.
E tenho o mais importante de tudo: os meus amores - meu companheiro, meus filhos, noras, netos, parentes e amigos queridos, enfim, um bando de gente legal que sabe que pode contar comigo e com quem eu sei que posso contar.
Chego aos 70 anos me sentindo feliz!

1949
    1957
1962

1994
1997

2004

2005

2007


2010

 2011

 2012




2013 

*com direito a festa com os netos pelo skype!

2015 


* com os primos queridos, Hélio e Nelci


19.8.17

Colunas

Posto hoje, as colunas que publiquei em julho no site da Rádio Web Manawa, 
a "Voz da Resistência", da grande radialista gaúcha Beatriz Fagundes.
Ela está no ar de segunda a sábado, da 9 hs às 12 hs e de segunda a sexta-feira, das 19 hs às 21 hs. 
Escutem porque vale a pena!
http://www.manawa.com.br/



A primeira coluna
5 de julho de 2017
Esta é a minha primeira coluna para o site da Rádio Web Manawa e acho que devo começar me apresentando: em outubro de 1947 nasci em Porto Alegre, hoje moro em Florianópolis, sou colorada, figueirense e socialista.
Tenho amores: Xico, meu marido, meus filhos Ricardo e Miguel, as noras Tatiane e Patrícia, os netos: Gabriel, Ramiro, Marcelo e Luiza, os amores que o Xico me trouxe, os amigos-parentes e os parentes-amigos.
Gosto de gente, de política, de ouvir música, de cantar, de fotografia, de cinema, de viajar, de nuvens e de muitas outras coisas. Gosto muito de viver!
Já vivi em Porto Alegre, no Chile, em Brasília, em Campinas/ SP e assim fui fazendo amigos e amigas que hoje estão espalhados pelo mundo. Alguns, de quem tenho muita saudade, não estão mais no nosso planeta. E foi uma destas amigas que, há muitos anos, me “apresentou” o programa da Beatriz Fagundes na Rádio Pampa.
Foi amor à primeira ouvida e virou um vício, rsrsrs. 
Quando ela saiu da Pampa as minhas manhãs ficaram vazias, foi uma sensação bem estranha…
Mas, pouco tempo depois, voltamos a ter a companhia dela na Rádio Web Manawa que, corajosamente, criou com a ajuda do filho Jefferson.
Hoje, a considero minha amiga e minha gêmea separada de mim no berço, porque somos parecidas em muitas coisas.
Quando ela falou no programa que haveria colunistas no novo site da rádio, não precisou nem me convidar porque eu imediatamente me escalei.
Agora, escrevendo esta primeira colina, estou morta de medo. 
Bem feito pra mim, quem mandou ser uma filha única metidinha a sebo que adora se exibir!
Espero ter coragem e não parar na primeira.



Não ver, não ouvir e não falar…
6 de julho de 2017
Quem não conhece estes três macaquinhos?Fui procurar no Oráculo Google e me surpreendi porque eles são milenares: “ilustram a porta do Estábulo Sagrado, um templo do século XVII localizado no Santuário Toshogu, na cidade de Nikkō, Japão.” São conhecidos como “Os Três Macacos Sábios” e têm nome, Mizaru (o que cobre os olhos), Kikazaru (o que tapa os ouvidos) e Iwazaru (o que tapa a boca).Por que estou falando deles?É por que desde os protestos de 2013, os macaquinhos começaram a frequentar o Facebook com espantosa assiduidade!.No início vieram só dois, Mizaru, o que não vê, e Kikazu, o que não escuta, mas, depois do golpe, Iwazaru, o que não fala, resolveu se juntar aos amigos.Se vocês não notaram as suas presenças é porque eles não tinham perfis. Se manifestavam em conjunto, num discurso uníssono e com o codinome “coxinhas”.Quem eram os “coxinhas”? Eram os cegos e surdos por opção e que, agora, são também mudos por opção!Cegos porque não viam nada de positivo nos governos do Lula e da Dilma, e nos partidos de esquerda. Surdos porque não queriam ouvir nossos argumentos.Mas, agora, estão mudos e bem mudos. Acredito que tudo na vida são escolhas e que mesmo sem escolher, estamos escolhendo.Mas, não posso deixar de ficar com pena dos que escolheram ser cegos e mudos num momento em que o Brasil estava vivendo seu melhor momento desde o seu “descobrimento”.Fico com pena deles porque hoje não sabem o que fazer e não têm como não ver os verdadeiros canalhas que seus líderes são e sempre foram porque, afinal, a Rede Globo não está mais querendo esconder…p.s.1 Não briguem comigo porque tenho pena deles. Sou assim mesmo, de vez em quando sou querida, rsrsrs.p.s.2 “Mizaru Kikazaru Iwazaru, que literalmente significa: miru=olhar, kiku=ouvir,iwa=falar e zaru=negar é uma forma de lembrar que se os homens não olhassem, não ouvissem e não falassem o sobre mal alheio, teríamos comunidades pacíficas com paz e harmonia.” 



As Palavras
13 de julho de 2017
As palavras sempre carregam um significado. Pensem em "bonito”, “feio”, “balaustre”, “com”,“sem”, “de”, “entre”, “inconstitucionalíssimamente”… 
Enfim todas, até “Enfim” e “todas,”rsrsrs.
Se eu disser “cadeira” todos os que entendem a língua portuguesa vão saber a que objeto me refiro e vai acontecer a mesma coisa se eu disser “tristeza” ou “estou com fome”. Elas podem significar um objeto, um sentimento, qualquer coisa…
Dia destes, um amigo ficou indignado porque a palavra “gringo” não estava mais sendo usada pelos gaúchos como costumava ser, significando “descendentes de imigrantes italianos”.
Bobagem dele porque a língua é um elemento vivo e está sempre em movimento!
Como nós, as palavras nascem, podem morrer na semana seguinte, podem entrar para o dicionário e podem até estar no dicionário e nem serem mais usadas.
E elas podem também mudar de ideia, rsrsrs. Como? Por exemplo, o que era “bonito” no século passado pode não ser mais “bonito” hoje.
E porque escrevo isto agora?
Porque li na Zero Hora sobre a condenação de Lula: “O petista foi acusado pela força-tarefa da operação Lava-Jato de receber propina da construtora OAS, que tinha contratos com a Petrobras”. 
Não era o ex-Presidente Lula, era “o petista”!
Lembram do chamado “mensalão do PT”, que começou em 2005?
As pessoas que foram indiciadas eram: 10 do PT, 9 publicitários, 5 do PP, 4 do PR, 4 do Banco Rural, 3 do PTB (incluindo o presidente do partido), 1 do PMDB e dois corretores.
Tá bem, vocês podem me dizer que chamaram assim porque a maioria era ligada ao PT e eu até poderia concordar. Mas, podem ter certeza, quando a imprensa dita livre começou a divulgar este “apelido”, sabia bem o que estava fazendo e qual era o objetivo disto.
Não é por casualidade que o primeiro “mensalão”, o de 1998 em Minas Gerais, nunca foi o “mensalão do PSDB”, pode chegar, no máximo, ao mensalão tucano.
Os governos Lula e Dilma, eram chamados de “governos do PT” e os petistas ficavam faceiros e orgulhosos (até eu, petista na época). Todos nós sabíamos que eram governos de coalizão, mas aceitávamos o apelido.
Como o golpe vem sendo gestado há muito, penso que estes apelidos não foram usados por acaso; foram e ainda são usados como mensagens subliminares. Sorrateiramente, estas palavras repetidas à exaustão, chegam ao nosso subconsciente e ali se instalam.
Tenho certeza que esta tática fazia e faz parte do processo de “excomunhão” do PT  e das esquerdas e que é por isto que o ex-presidente Lula, um dos líderes mais respeitado do mundo, que saiu do governo com 83% de aprovação, é “o petista”.
Transformar em ofensa a palavra “petista”, inventar a palavra “petralha”, tirar da sigla “PT” o seu significado de luta pela Justiça Social, foram formas muito bem pensadas para tentar acabar com a grandeza que o Brasil alcançou com os governos de Lula e Dilma!
p.s. "a mensagem subliminar é um mecanismo de convencimento inconsciente, captado pelo nosso subconsciente, que tem uma maior capacidade de armazenamento de informações do que a consciência. Ela não é recebida diretamente pelos sentidos do homem, pois está em um patamar sensorial quase imperceptível, configurando a mínima sensação auditiva ou visual passível de ser transmitida."


As pessoas e as criaturas/ 28 de julho de 2017
Tenho uma amiga que costuma usar a expressão “Assim como são as pessoas… são as criaturas” quando ela não acha explicação melhor para algum comportamento do tal do elemento humano que, realmente, às vezes é muito difícil de entender…

Eu divido as pessoas em duas “categorias” (pretensão e água benta cada um usa o que quer, rsrsrs).
A primeira é a categoria das pessoas conseguem olhar para fora de si mesmas, veem o todo e se sentem fazendo parte desse todo invisível aos olhos, têm uma percepção panorâmica, como se os fossem uma filmadora se movendo horizontalmente.
Esta é, também, a categoria dos que sabem que existe um passado que influencia o nosso presente, que por sua vez, vai influenciar o nosso futuro e assim por diante, indefinidamente…
Já a segunda categoria é a daqueles que a percepção pontual, estática, como se fosse uma fotografia.
Como vão se sentir fazendo parte? Se não há o todo, também não poderá haver as partes.
São as pessoas que só conseguem ver o que está acontecendo agora, como se o que está acontecendo agora tivesse brotado do chão, simplesmente…
Se for verdade que estas duas categorias existem, quem sabe não será esta a diferença entres as pessoas e as criaturas?
Imagino que os que não estão “fazendo parte” não têm como ver o outro, não tem como colocar-se no lugar do outro e, portanto, não tem como ser solidário e generoso com ele..
O Facebook tem sido para mim um terrível exemplo da existência de um grande número de pessoas insensíveis à miséria, à fome, à injustiça, aos problemas que enfrentam os negros, os gays, as mulheres... Pois é, demonstram ser insensíveis aos problemas sociais que voltam a atingir grande parte dos brasileiros.
É, simplesmente, porque não enxergam o outro.
Depois me lembro com tristeza: são as pessoas de segunda categoria.

p.s. A ilustração é a xilogravura de 1922,  “Oito cabeças”  de M.C. Escher


25.3.17

Passeando em Portugal

Amigos,
depois de abandonar este bloguinho por mais de um ano, convido vocês a passearem comigo em Portugal.*
Estive lá duas vezes, a primeira em 2012 e a segunda em 2015, sempre na companhia do Xico, meu marido querido. Adoramos !
Bom passeio a todos e abraço.
Maria Lucia
*São vídeos amadores, editados no Movie Maker, mas gosto deles, rsrsrs.

Avenida dos Aliados, 
 a "sala de visitas" da cidade do Porto


Oceanário de Lisboa

https://www.oceanario.pt/

Miradouro de São Pedro de Alcântara, Lisboa


Mosteiro da Batalha






Farol Penedo da Saudade



Palácio Nacional da Pena, Sintra

 



Coimbra



Cabo da Roca