Postagens

Brigitte Bardot e eu

Imagem
Hoje, BB morreu. Fiquei procurando uma outra forma de dizer, mas preferi a real: morreu. Tenho duas lembranças marcantes com ela. A primeira é de 1959. Eu tinha 12 anos quando Brigitte se casou com Jacques Charrier. A foto dos dois, no dia do casamento, correu o mundo, chegou até Porto Alegre, e o vestido que ela usava entrou na moda! Se tornou meu sonho de consumo, meu e de todas as outras  adolescentes.  Era de algodão xadrezinho, um tecido que, até então, só era usado em toalhas de mesa, com bordado inglês nas mangas e no decote.  E eu ganhei um! Naquele tempo, nossos vestidos eram feitos por costureiras da nossa família ou profissionais, mas só as mulheres costuravam. Não lembro quem fez o meu. Pode ter sido a minha avó Dulce, que costurava muito bem. Um dia até tentou me ensinar, mas perdeu a paciência e desistiu, rsrs. Foi tão importante este vestido que lembro até hoje como eu me sentia linda com ele. Meus tios, meus primos e eu (me sentindo linda, rsrs) A ou...

Sobre a Revolução Farroupilha II

Imagem
Trabalho do meu pai, o cartunista Sampaio, publicado na Revista do Globo/RS, em novembro de 1948.

Sobre a Revolução Farroupilha I

Imagem
Com a palavra Juremir Machado da Silva: Até quando vamos endeusar a revolução farroupilha? Até quando?   Todo os anos eu me pergunto: até quando? Sim, até quando teremos de mentir ou omitir para não incomodar os poderosos individuais ou coletivos? Até quando teremos que tapar o sol com a peneira para não ferir as suscetibilidades dos que homenageiam anualmente uma “revolução” que desconhecem? Até quando teremos de aliviar as críticas para não ofender os que, por não terem estudado História, acreditam que os farroupilhas foram idealistas, abolicionistas e republicanos desde sempre? Até quando teremos de fazer de conta que há dúvidas consistentes sobre a terrível traição aos negros em Porongos? Até quando teremos de justificar o horror com o argumento simplório de que eram os valores da época? Valores da traição, do escravismo, da infâmia? Até quando fingiremos não saber que outros líderes – La Fayette, Bolívar, Rivera – outros países – Uruguai, Argentina, Chile, Bolí...

Residente - "This is Not America"

Imagem
Postagem dedicada ao novo presidente dos EUA Em 2022,  o portoriquenho René Joglar Pérez,  conhecido como  Residente,  compôs o rap "This is Not America" e lançou um clipe que provocou grande impacto, por sua letra e por suas imagens. O s intérpretes são: o próprio Residente e  o duo " Ibeyi", com Naomi Diaz, na  percussão e Lisa-Kaindé nos vocais).  Vi na Internet que, naquele ano, "viralizou", mas, e u não conhecia e assisti ontem, pela primeira vez. Por  coincidência, mInha amiga Beatriz Fagundes rodou hoje no seu programa na Rádio Manawa. Euzinha, muito exibidamente, me ofereci para traduzir.  A primeira coisa que fiz foi procurar traduções prontas, mas as que  encontrei não me agradaram.  C omecei a traduzir e quase desisti!  Apesar de dominar bem o espanhol, havia muitas palavras e versos que eu não entendia. Precisei pesquisar e f iquei surpresa, encontrei várias análises e até um trabalho acadêmico sobre o clipe. Então,...

Elis Vive!

Imagem
19 de janeiro 1982, Porto Alegre, eu estava dirigindo  e lembro de ter tido uma sensação muito estranha, a de que a cidade havia parado. Lembro bem, mas não sei explicar. Só no final do dia soube da morte da Elis. Foi uma enorme tristeza e difícil de acreditar.. Fiquei sabendo que estava sendo organizada uma vigília no Auditório Araújo Viana, onde vários músicos iriam se apresentar. Não sei de quem foi a ideia, mas foi uma grande ideia porque assim tivemos um lugar para chorarmos juntos. A noite estava fria, apesar de ser janeiro e fui com a  minha amiga Carmen Peña Sommer. Meses antes, eu assisti "Trem Azul", seu último show. E, q uando terminou, eu e um grupo não muito grande, queríamos falar com Elis. Ela mandou um recado: nos receberia no hotel no dia seguinte.  Mas, eu não fui...... Do livro "Elis Regina", de Zeca Kiechaloski: “Em setembro desse mesmo ano, Elis faria sua última apresentação (...) em Porto Alegre. (...) No Gigantinho, Elis se reencontr...

Histórias do Zeca

Imagem
Zeca era o apelido familiar do meu pai, o Sampaio (como ele assinava os seus cartuns). Há oito anos, no dia 12 de janeiro ele nos deixava, com 89 bem vividos anos. Em julho de 2016, foi descoberto um inoperável câncer no seu pulmão, apesar dele ter parado de fumar em 1979. Em nenhum momento sofreu alguma dor física e partiu tranquilo como uma vela que se apaga. Ele foi um dos primeiros cartunistas profissionais do Rio Grande do Sul (se não o primeiro), publicando na prestigiada Revista do Globo, nos anos 1940 e 1950. Depois seguiu publicando seu trabalho em vários jornais e inclusive na TV. Nos anos 1980, resolveu abandonar o jornalismo para se dedicar somente à sua carreira de servidor público no TRE/RS, mas, nunca parou de desenhar. Hoje, no Facebook, vi uma foto que me lembrou uma história  que meu pai contav a.                  Foto:"Homem segurando uma árvore durante o furacão Carol", 1954  (foto atribuída a  Stanl...

Um Natal inesquecível

Imagem
Em 1986, meus filhos estavam com o pai  e eu fui com a minha avó e a minha tia passar o Natal em  São Paulo .  A festança seria na casa de uma das minhas primas com toda a parentalha "paulistana" presente.  Algumas das crianças ainda acreditavam no Papai Noel e era uma tradição deles a presença do "bom velhinho"  ao vivo e a cores.  Mas, algumas estavam naquela fase do acredito/não acredito e por isto o Papai Noel não poderia ser o meu tio, como rezava a tradição. Certamente, seria reconhecido pelas mais velhas. Chegamos em São Paulo poucos dias antes da festa de Natal e estávamos hospedadas na casa dos meus tios. As crianças ainda não tinham me visto e, além disto, nos víamos poucas vezes durante o ano, portanto,  difícilmente me reconheceriam. Sendo assim,  eu fui a escolhida para ser o Papai Noel e achei bem bom! Ainda não tinha a roupa que eu usaria, rsrs  Meus tios e sua família, anos antes, haviam vivido nos Estados Unidos e a roupa tin...