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Chile, setembro de 1973/ primeira parte

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"Hay más verdad en los recuerdos  que en la historia." Remis Ramos Belmar Para nós, brasileiros que vivíamos no Chile em 1973, o golpe não foi uma surpresa porque já tínhamos a experiência do golpe brasileiro. Mas, os chilenos não conheciam outra coisa senão a estabilidade das instituições democráticas e admitiam, quando muito, a possibilidade de um golpe branco, sem o uso da força. O fato é que, lá no fundo, todos nós tínhamos a ilusão de que Salvador Allende permaneceria no governo até o fim de seu mandato, apesar da constante tensão. Com meus pais, embarcando para o Chile/ junho de 1971  Cheguei ao Chile em 1971 para encontrar meu namorado, Renato Dagnino, que havia sido expulso da UFRGS pelo decreto 477 que já estava lá. Nós dois militávamos no movimento estudantil, em Porto Alegre. Ele fazia parte da diretoria do DCE/UFRGS e era presidente do CEUE (Centro dos Estudantes Universitários de Engenharia)e eu, estudante de Arquitetura,...

O Carnaval de Sampaio na Revista do Globo

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Meu pai foi um dos primeiros cartunistas profissionais do Rio Grande do Sul.  Começou nos anos 40, na Revista do Globo, com os desenhos de multidão.  Cada semana, escolhia um tema e a "graça" era encontrar o homenzinho fazendo xixi, sempre presente (40 anos antes do "Onde está Wally"!).  Mas, procurando bem, também se encontra o seu auto-retrato e eu, de franjinha, sempre ali por perto.  Então, divirtam-se. p.s.- Sampaio tem hoje 85 anos mas, infelizmente, não desenha mais.  O também cartunista SamPaulo, já falecido, era seu irmão mais moço.  Seu auto-retrato, feito em 1953, para facilitar a busca por ele nos desenhos.

POLITIZAÇÃO E DESBUNDE

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"Assim se projetou uma geração.  A Faculdade de Arquitetura da UFRGS refletiu a rebeldia dos anos 1960. Por lá passaram diversos personagens e personalidades." Do Jornalista Paulo César Teixeira, autor de "Esquina Maldita"  (Editora Libretos, 2012). Publicado no Caderno de Cultura da Zero Hora de hoje. Euzinha em 1969 Uma sexagenária que acompanhou a trajetória de sua geração, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS foi uma espécie de point de descolados que sintonizou Porto Alegre com os movimentos de vanguarda política, estética e comportamental que se alastravam pelo mundo nos anos 1960. A escola que completou seis décadas de vida em junho do ano passado era um “centro convulsionado de inquietações”, como sugere o ex-aluno Jorge Polydoro, atual presidente do Instituto e revista Amanhã. “Era a faculdade da moda”, acrescenta Luís Carlos Macchi Silva, o Lico, que ingressou como estudante em 1965 e hoje é professor da instituição...

Quem diria...

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                            E não é que o mundo acabou mesmo? Pois é, acabou, ponto final e não há nada pra fazer! Quem diria? E eu que tinha certeza de que esta história de “fim do mundo” era bobagem...               Calendário maia, quem iria acreditar? Mas, se conseguirmos parar e pensar um pouquinho só, vamos perceber que não acabou de repente. Foi acabando aos poucos e a gente nem deu bola! Lá pelas tantas, inventamos os “arranha-céus” e as cidades do nosso, até então, pacato mundo foram sendo aos poucos invadidas por eles. Se multiplicaram e se espalharam por todas as cidades, grandes e pequenas, e nós adoramos! Com o passar do tempo, começamos a construí-los um ao lado do outro, ao lado do outro, ao lado do outro, cada vez mais perto um do outro, mais perto um do outro e cada vez mais altos, mais altos e mais altos. E a...

Sem palavras

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Já estamos de volta ao Brasil, chegamos ontem à noite e o nosso passeio teve um fechamento com uma chave do mais puro ouro. Como o Xico dizia durante a viagem, quando a gente pensava que já tinha visto o mais lindo e sentido a maior emoção, ainda havia mais nos esperando. No avião, sentada ao meu lado, estava uma senhora mais senhora do que eu, que não parecia uma turista. Falava um pouquinho de inglês e eu um pouquinho pouquíssimo, mas, mesmo assim, conseguimos nos entender. Contou que era holandesa e que a viagem ao Brasil era a realização de um grande sonho. Estava vindo para encontrar o filho que ela não via há quarenta e cinco anos. Sim, não via o filho há quarenta e cinco anos!  Fiquei só tentando imaginar como seria esta emoção... Ela casou muito jovem, teve o filho e divorciou-se. Quando ele tinha oito anos, não podendo sustentá-lo, o menino foi entregue para adoção e ela nunca mais soube dele. Há alguns anos, com a ajuda de amigos, começou a procurá-lo na ...

O primeiro 11 de setembro

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Era 11 de setembro de 1973 e estávamos no Chile. Nesta hora, ao acordarmos, ouvimos no rádio o último discurso do Presidente Salvador Allende. Era o início do terror que assombrou aquele país por tempo demais. Era o início do terror que proibiu, perseguiu, torturou brutalmente e matou. Era o início do terror que desmanchou vidas e famílias, e que deixou seqüelas para sempre. Era o início do terror que roubou a esperança de milhares de pessoas. Era o início do terror que roubou, pelo mundo afora, a esperança de uma geração. Que roubou a esperança de uma geração que queria um “homem novo” e que acreditou que outro mundo era possível. Alguns de nós, apesar da dor, ainda acreditamos.

Passado e presente, um presente!

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       Mesmo tendo nascido em Porto Alegre, desde que eu me sinto gente, uma outra cidade faz parte da minha vida: São Luiz Gonzaga.       Meu avô Sampaio, pai do meu pai, chegou à cidade em 1921 como Juiz de Direito. Conheceu minha avó Dulce, casaram e lá nasceram meu pai e meus tio João. Seis anos depois, eles saíram de lá.       A família da minha avó era tradicional na cidade, “os Gomes”. Meu bisavô, o Cel. Raymundo Gomes Netto, prefeito da cidade entre 1938 e 1941, foi um importante líder político. Nunca o conheci, nem à minha bisavó Ernestina, mas, o Padrinho e a Madrinha (como eram chamados pela família) estiveram presentes na minha infância.       Meus avós, quando os filhos eram pequenos e adolescentes, passavam as férias em São Luiz. A terra vermelha, o “footing” em volta da praça, o calor intenso no verão, o muito frio do inverno, os parentes são-luizenses (que muito...