Estou muito feliz e emocionada, nasceu Ramiro, meu segundo neto. Este é um trecho da crônica "A arte de ser avó", publicada em 1964, no livro "O brasileiro perplexo" de Rachel de Queiroz. “Netos são como heranças: Você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, De repente caem do céu... É como dizem os ingleses, um Ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto. O neto é, realmente, o sangue do seu sangue, filho do filho, mais filho que filho mesmo... Cinqüenta anos, cinqüenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações; todos dizem isso, embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto, mas acredita. Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lh...