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Mostrando postagens de maio, 2011

A arte de ser avó

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Estou muito feliz e emocionada, nasceu Ramiro, meu segundo neto.  Este é um trecho da crônica "A arte de ser avó", publicada   em 1964,  no livro "O brasileiro perplexo" de Rachel de Queiroz. “Netos são como heranças: Você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, De repente caem do céu... É como dizem os ingleses, um Ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto. O neto é, realmente, o sangue do seu sangue, filho do filho, mais filho que filho mesmo... Cinqüenta anos, cinqüenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações; todos dizem isso, embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto, mas acredita. Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lh...

Gordos do mundo, uni-vos!

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T exto de Antonio Prata, publicado na Folha de São Paulo em 27.4.2011.  Adorei!    A SEGUNDA METADE do século 20 assistiu à fragmentação das lutas e ao alargamento dos direitos: os negros se organizaram, as mulheres se organizaram, os judeus se organizaram, os gays se organizaram -até os ruivos, ouvi dizer, têm associações contra o preconceito cromocapilar que, parece, sofrem por aí.      Ótimo. Hoje, o sujeito pensa duas vezes antes de pintar suásticas ou enfiar um cone branco na cabeça, vestir os lençóis da cama e sair queimando cruzes pelas ruas. O problema é que sobrou uma única minoria, desarticulada e sem líderes, tomando na cabeça todos os cascudos que os últimos séculos dividiram entre os grupos supracitados: os gordos.      Na supremacia magra em que vivemos, já não se medem mais crânios para atestar a superioridade de ninguém, medem-se abdomens. O gordo, hoje, anda com os ombros curvados e os olhos baixos, co...

Todo o dia ...

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Já que inventei de divulgar meu blog, comecei a me sentir na obrigação de escrever.  Então, lembrei de um escrito de junho de 2006. Ufa! Ainda bem que aquele momento já passou. Acordar olhar o relógio acender o rádio encher o prato da Mimi falar com ela arrumar a cama tenho que fazer exercício lavar o rosto tomar café tomar os remédios lavar a louça tenho que ligar para a dentista tem roupa para lavar? receber telefonema da mãe olhar o relógio ver a programação do dia é necessário ligar para alguém? ligar ou não ligar? olhar agora os e-mails? tenho que responder 175 e-mails vou almoçar com alguém? convido alguém para almoçar? há programa para depois do trabalho? qual deles escolho? tenho que ligar para a fisioterapeuta tomar banho agora ou de noite? fazer carinho na Mimi passar creme no rosto tenho que sair com o amigo que não está bem me arrumar está frio ou calor? olhar a temperatura na TV chove? ol...

Minha Vó-Mãe

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Hoje, 20 de maio, faz tempo demais que minha avó Elvira morreu. Eu tinha 18 anos e ela era a mãe da minha mãe. Não conheceu os meus filhos, meus netos e nem o Xico. Não me viu arquiteta, nem cantora. Não participou da minha vida adulta. Uma pena... Na noite do seu enterro (que eu não tive a coragem de assistir) meus companheiros do "Coral de Câmara do Rio Grande do Sul" fizeram uma serenata na minha janela. Foi uma linda e inesquecível manifestação de carinho. Só seis meses depois da sua morte consegui chorar, amparada pela minha amiga Selena. A minha avó não chorava. Acho que as tristezas foram tantas, que as lágrimas secaram e somente um grito saía da sua garganta nos momentos de grande sofrimento. Hoje, estou com saudade da minha Vó-Mãe! Era assim que eu a via, minha avó e minha mãe e era assim que eu a chamava. Alguém tem culpa desta confusão? A minha corajosa avó, “mulher separada” em Porto Alegre no início dos anos 30, que não acreditou qu...