Hoje, BB morreu. Fiquei procurando uma outra forma de dizer, mas preferi a real: morreu. Tenho duas lembranças marcantes com ela. A primeira é de 1959. Eu tinha 12 anos quando Brigitte se casou com Jacques Charrier. A foto dos dois, no dia do casamento, correu o mundo, chegou até Porto Alegre, e o vestido que ela usava entrou na moda! Se tornou meu sonho de consumo, meu e de todas as outras adolescentes. Era de algodão xadrezinho, um tecido que, até então, só era usado em toalhas de mesa, com bordado inglês nas mangas e no decote. E eu ganhei um! Naquele tempo, nossos vestidos eram feitos por costureiras da nossa família ou profissionais, mas só as mulheres costuravam. Não lembro quem fez o meu. Pode ter sido a minha avó Dulce, que costurava muito bem. Um dia até tentou me ensinar, mas perdeu a paciência e desistiu, rsrs. Foi tão importante este vestido que lembro até hoje como eu me sentia linda com ele. Meus tios, meus primos e eu (me sentindo linda, rsrs) A ou...
"Hay más verdad en los recuerdos que en la historia." Remis Ramos Belmar Para nós, brasileiros que vivíamos no Chile em 1973, o golpe não foi uma surpresa porque já tínhamos a experiência do golpe brasileiro. Mas, os chilenos não conheciam outra coisa senão a estabilidade das instituições democráticas e admitiam, quando muito, a possibilidade de um golpe branco, sem o uso da força. O fato é que, lá no fundo, todos nós tínhamos a ilusão de que Salvador Allende permaneceria no governo até o fim de seu mandato, apesar da constante tensão. Com meus pais, embarcando para o Chile/ junho de 1971 Cheguei ao Chile em 1971 para encontrar meu namorado, Renato Dagnino, que havia sido expulso da UFRGS pelo decreto 477 que já estava lá. Nós dois militávamos no movimento estudantil, em Porto Alegre. Ele fazia parte da diretoria do DCE/UFRGS e era presidente do CEUE (Centro dos Estudantes Universitários de Engenharia)e eu, estudante de Arquitetura,...
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