Viva Fidel!

Hoje, 13 de agosto, Fidel Castro completaria 100 anos, mas já não anda mais por aqui desde 2016. Sempre o admirei por sua coragem e coerência. 
Ele visitou o Chile em novembro de 1971, durante o Governo da Unidade Popular, grupo de partidos que apoiavam o Presidente Salvador Allende. 
Nos vinte e três dias em que lá permaneceu, percorreu o país de norte a sul, visitando as principais cidades e sendo sempre recebido e escutado por multidões.
A palavra de ordem era "Fidel, te recebemos lutando."

Mas, nem todos estavam satisfeitos com a presença de Fidel Castro no Chile! A imprensa de oposição (o PIG, partido da imprensa golpista) o atacou violentamente durante todo o tempo em que ele esteve no país.

"Santiago infestado de cubanos armados"  
"junte três barbas imundas: ganhará um Fidel Castro"

Um dos jornais publicava todos os dias a foto de uma vassoura, virada de "cabeça para baixo", atrás de uma porta, rsrs - um método muito antigo para espantar visitas indesejadas! 

Eu vivia em Concepción, no sul do Chile, quando Fidel esteve lá, em novembro de 1971.
Saiu do aeroporto em um carro aberto e assim desfilou pela principal rua da cidade. 
Corria riscos? Sim. Mas, além da segurança dada a um chefe de estado, todos nós éramos seus "seguranças". 
E eu estava lá! Nem preciso dizer o tamanho da minha emoção e não só minha, mas de centenas de pessoas que estavam ali para recebê-lo. 

Apesar dessa emoção e da minha agitação por estar vivendo aquele momento, consegui fazer algumas fotos:


Tive, também, o privilégio de escutar Fidel Castro "ao vivo e a cores" em duas oportunidades: dia 17, quando ele discursou durante uma hora e meia, no Estádio Regional lotado; e dia no 18, na Universidad de Concepción, durante duas horas e meia. 
E não lembro de ter cansado, só lembro da minha alegria por estar ali.


Encontrei na Internet registros dessas duas ocasiões:Estádio Regional de Concepción/ Foto de Armindo Cardoso

Universidade de Concepción, do mesmo autor

Universidade de Concepcion/ autor desconhecido

p.s. dois anos depois, em setembro de 1973, com o golpe de Estado, o Estádio Regional tornou-se uma prisão que recebeu centenas de presos políticos, apoiadores do governo da Unidade Popular. Hoje há uma placa em homenagem a eles:


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